Por que a Igreja Primitiva cresceu?

Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé (ATOS, 6: 7).

Você já parou para pensar qual foi o motivo da Igreja Primitiva crescer tanto em tão pouco tempo? Já se perguntou porque a Igreja atual não obtém o mesmo sucesso? Se essas perguntas te inquietam, bem-vindo ao clube!!! Inquietações como essas tem levado muitos líderes a estudar o modo de ser da Igreja original. Entre vários motivos, alguns merecem destaque quando o assunto é crescimento da igreja cristã, como: a descida do Espírito Santo; oração e jejum constantes; comunhão entre os irmãos; pregações públicas; lideranças em pequenos grupos; divisão de tarefas entre os líderes; ensino das doutrinas de Cristo, entre outros.  Em meio a tantas ferramentas utilizadas por Deus, o livro de Atos registra uma que merece destaque: ensino da Palavra.

Sabe-se que para manter a unidade do povo era preciso que todos conhecessem e acreditassem na mensagem de Cristo. Não havia outra forma de estabelecer unidade em longo prazo. A comunhão gerada através da “mesa” era importante para criar vínculos e inserir as pessoas no corpo. Mas para que esse corpo se mantivesse coeso e integrado era preciso mais do que isso. Era preciso alinhar sua perspectiva de vida à Palavra de Deus.

No livro de Atos, há registros evidentes sobre o sistema de trabalho da Igreja Primitiva. Tudo indica que ela crescia na “graça e no conhecimento”. Ao mesmo tempo em que o sobrenatural de Deus pairava sobre a Igreja, o conhecimento pousava também. Conforme o texto: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (ATOS, 2: 42).  Note que perseverar é um termo que indica que a doutrina dos apóstolos era uma constante na vida deles. Além de estudar, praticavam também. Em certa ocasião, os apóstolos foram censurados para não ensinar mais a doutrina de Jesus, conforme texto:

Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem (ATOS 5: 28).

Esse versículo indica a metodologia utilizada pelos apóstolos, eles não só pregavam a Palavra, ensinavam-na também. O crescimento sem o ensino da Palavra traria apenas um sucesso momentâneo. As bases e os alicerces da fé cristã não poderiam ser apenas estabelecidos por uma pregação evangelística. É preciso mais que isso, é preciso ensino, acompanhamento e perseverança naquilo que se aprendeu e ouviu. O próprio Jesus deixou claro aquilo que esperava da Igreja em sua ausência. Entre tantas orientações, o ensino da Palavra estava presente, afinal, ele resulta em um crescimento sadio do corpo. É possível analisar tal premissa nas palavras do mestre:

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (MATEUS, 28: 19-20, grifo da autora).

Jesus sabia que a igreja só seria triunfante se sua visão, missão e valores estivessem gravadas no coração de seus seguidores. O trabalho deveria ser constante e sólido, através estudos diários de seus ensinos. É possível verificar na própria história da Igreja Primitiva que aquilo que foi orientado nesse versículo precisou ser colocado em prática logo nos primeiros dias de trabalho.

A Igreja Primitiva passou por um crescimento meteórico. Foi muito rápida sua expansão. Na primeira pregação feita por Pedro, três mil almas se converteram (ATOS 2: 41). Logo após essa mensagem, Pedro e João foram presos, mas antes o número de convertidos chegou a cinco mil almas (ATOS 4:4). A prisão foi uma tentativa de parar o ensino e a pregação deles (ATOS 4:2). Com o crescimento rápido, os apóstolos enfrentaram outro problema: atender todo o povo. Para isso, líderes foram levantados entre eles, a fim de atender toda demanda que a Igreja estava apresentando. Além de crescer, a Igreja precisava manter no corpo as pessoas alcançadas. Para isso, pequenos grupos foram criados e o povo se reunia nas casas para cultuar a Deus. Nessa época, não havia um templo cristão. Por conta disso, os chefes de família passaram a ensinar os novos convertidos. Após o aprendizado com os apóstolos, eles reproduziam esse conhecimento entre o povo. E assim a Igreja foi crescendo e a cada dia se multiplicava o número de discípulos (ATOS 6: 1). A Palavra de Deus era ensinada e compartilhada entre todos e, o Ide de Jesus estava sendo cumprido na íntegra.

Na grande comissão, Jesus deixa claro o propósito da Igreja. Ele desenha o sistema de trabalho que deveria ser seguido.

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28: 19-20).

 Segue abaixo a análise de cada trecho do versículo que evidencia este modelo de trabalho.

  1. Evangelizar (pregar) está no termo “Ide”, ou seja, pregar o evangelho a toda criatura;
  2. Batizar (consolidar – ganhar) está no termo “batizando-os”, isto é, trazer para o corpo;
  3. Ensinar (consolidar)está no termo “ensinando-os”, isto é, consolidar a pessoa através do ensino da Palavra de Deus;
  4. Discipular (solidificar – treinar) está no termo e “fazei discípulos”, ou seja, além de consolidar através do ensino de princípios bíblicos era necessário treiná-los para a missão.

O próprio Senhor Jesus ensinava seus discípulos. Ele não pregava publicamente apenas, Ele ensinava também.  No Evangelho de João há o registro: “Eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste” (17: 8). Se o mestre havia utilizado essa metodologia de ensinar as verdades celestiais, caberia a Igreja fazer o mesmo. A proposta de trabalho foi seguida, fica claro em Atos 2: 41-47 que a Igreja cumpriu a ordem dada por Cristo. Conforme texto:

Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados,… E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e orações…Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum…Diariamente perseveram unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria…louvando a Deus…Acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

A igreja primitiva cumpriu a ordenança deixada por Jesus na Grande Comissão. Ela pregava a Palavra, ganhava novas almas, guardava a doutrina, era unida, estava sempre presente no templo e envolvida nas atividades que havia. Isso só aconteceu porque tinha uma base sólida. Resultado? Crescimento exponencial. Ensinar a Palavra de Deus à Igreja é bíblico. Faz o povo crescer forte e sadio. E além de tudo é uma estratégia nascida no coração de Deus.

Algumas pessoas aventuram-se em dizer que “a letra mata, mas o espírito vivifica” para justificar seus desleixos com a Palavra de Deus. Já virou jargão no meio evangélico. Para entender este versículo, é preciso analisar o contexto. Paulo está explicando aos coríntianos que através do bom testemunho deles Jesus seria conhecido entre os povos.  Veja o versículo que antecede o texto:

Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração (II CORÍNTIOS 3: 2-3, grifo da autora).

Paulo está dizendo que a Lei de Deus está gravada no coração de cada um. Agora a Palavra não é externa ao homem, está no coração. Assim como Deus falou em Jeremias 31: 33:

Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo (grifo da autora).

O próprio Deus sabia que o homem se esforçava para cumprir seus ensinos, ora por medo das consequências, ora por tradição. O fato da Palavra de Deus estar externa ao homem, tornava o jugo muito pesado. Era penoso para as pessoas cumprirem a Lei. Não era esse o plano divino. Deus queria ser amado e respeitado pelo que era. Ele queria ser obedecido por amor. Para isso, o ser humano precisava entender que Sua Palavra era proteção e não prisão. Então, Cristo Jesus se tornou o canal de acesso entre o homem e Deus. Conforme o versículo:

O qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica  (II CORÍNTIOS 3: 6).

Em outras palavras, Paulo está dizendo que pertencemos ao um novo pacto, a uma nova aliança. Não era mais a aliança antiga, no formato antigo, onde a Lei era externa ao homem. Agora se fala de uma aliança que o homem tem prazer de viver, onde mediante a fé pode ser salvo e como consequência dessa salvação, obedecer à Palavra de Deus. Parafraseando o versículo, pode-se dizer que a letra (antiga aliança) mata, mas que o espírito (graça) vivifica.

Infelizmente, muitas pessoas citam esse versículo como fuga para suas responsabilidades. Dizem que o estudo não é importante porque não querem sair da zona de conforto e dedicar horas pesquisando, lendo e procurando conhecer a Deus. É mais fácil encontrar uma desculpa do que assumir uma postura de aprendizes da Palavra de Deus. Texto fora de contexto é artimanha do diabo. É preciso vigiar para não cair nesse laço. O inimigo sempre vai tentar parar a Igreja do Senhor e para isso, ele começa neutralizando o avanço do conhecimento da Palavra de Deus. Façamos como a Igreja Primitiva, avencemos na busca por conhecer a vontade de Deus (Palavra), pois somente assim, nossas congregações crescerão e estabelecerão o Reino de Deus nessa Terra.


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