Prioridade ou opção?

Como você se sentiria se a pessoa que ama te colocasse em segundo lugar na vida dela? Como seria sua reação se percebesse que não faz parte de seus planos? Se ela perguntasse a opinião de todos menos a sua? Se ela preferisse gastar seu tempo com outras coisas menos em sua companhia? Como seria se ela presenteasse a si mesma e a não a você? Se no lugar de ser companheira fosse individualista? É ruim só de imaginar esse cenário. Mas infelizmente, em algum momento já tivemos essa amarga experiência. O ser humano não foi criado para ser uma opção, ele é a coroa da criação de Deus. Tem necessidade de ser amado incondicionalmente, prioritariamente. Na Bíblia, tudo parece se tratar sobre relacionamento. Nela, há um Deus que busca ser o primeiro na vida do homem e um homem que espera ser o primeiro na vida de seus semelhantes. Todo o fundamento do Velho e do Novo Testamento é constituído disso: primeiro Deus. Todas as narrativas bíblicas foram escritas para contar esse princípio. Tanto para animar com base na história de pessoas que o praticaram, quanto para alertar sobre os problemas enfrentados por aqueles que se desviaram dele. Em toda as Escrituras, há histórias de homens e mulheres que foram abençoados não por causa da tradição familiar, titulação, renda ou aparência física. Muitos deles eram de origem humilde, simples e desprovidos até mesmo de beleza. Mas o que os destacavam dos demais era sua capacidade de priorizar Deus acima de tudo, até mesmo de suas próprias vidas. Abraão colocou Deus à frente do amor que sentia por Isaque, seu filho. José preferiu ir para prisão, só para não ser infiel ao seu Deus. Moisés escolheu uma vida simples no deserto, para não negar sua origem e chamado. Daniel optou pela cova dos leões só porque não queria deixar de orar ao Senhor. Os primeiros cristãos escolheram a morte para não negar sua fé. Tudo isso, porque queriam manter Deus no primeiro lugar de suas vidas. Talvez, hoje, teus desafios sejam diferentes daqueles enfrentados pelos heróis da fé. Mas a conduta ainda deve ser a mesma: entregar a primeira parte de tudo que somos e temos ao Senhor. Devemos dar a Ele um espaço de honra e conferi-lhe o título de prioridade. Nossa geração precisa entender que não se trata de religiosidade ou fanatismo. Trata-se de relacionamento e como tal precisa ser cultivado e profundo. Ninguém quer o outro pela metade, ninguém quer ser o plano B. Se nem o homem se contenta com vínculos superficiais, será que Deus se contentaria? Infelizmente, quase sempre, quando o assunto é Deus, todo o resto costuma vir antes. Oramos no final do dia (quando se ora), vamos ao culto se não houver nenhum programa mais interessante, fazemos planos e não consultamos a sua Palavra, usamos nossos talentos apenas para benefício próprio e quase nunca na obra de Deus, gastamos nossas rendas e nem priorizamos entregar a parte de Deus. Resultado? Decadência espiritual, fé rasa, princípios negociáveis, falta de prosperidade. Isso vale para o oposto, quando entregamos as primícias de nosso ser ou pertences ao Senhor, temos uma espiritualidade contagiante, fé profunda, princípios invioláveis e muita prosperidade.

Segundo a concordância de Strong, a palavra hebraica de primícias é reʼ·shíth e significa cabeça. É utilizada no sentido de primeira parte, princípio, ponto de partida, o melhor. Já no grego, o termo para primícias é a·par·khé que provém de uma raiz cujo significado é primazia. No dicionário Aurélio, primícias quer dizer: primeiros frutos, primeiras produções, primeiros lucros, primeiros sentimentos, primeiros começos. Pode-se dizer, então, que primícias é colocar algo em primeiro lugar, em qualquer sucessão de coisas ou pessoas. Inicialmente, o termo primícias foi utilizado para orientar os israelitas sobre a importância de se colocar Deus na primeira posição de tudo que lhes pertencia. Fosse através da consagração do primeiro fruto do ventre das mulheres, dos animais ou fosse do primeiro fruto da colheita da terra. Tudo que chegava primeiro deveria ser consagrado ao senhor.

As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à Casa do Senhor, teu Deus; não cozerás o cabrito no leite de sua mãe (ÊXODO, 34.26).

 E disse o Senhor a Moisés: Consagre a mim todos os primogênitos. O primeiro filho israelita me pertence, não somente entre os homens, mas também entre os animais (ÊXODO, 13.1,2).

          Ao que explicou o porquê.

Depois que o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o Senhor o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos pertencem ao Senhor. Resgatem com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiserem resgatá-la, quebrem-lhe o pescoço. Resgatem também todo primogênito entre os seus filhos. No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: Que significa isto? digam-lhes: Com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da terra da escravidão. Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, tanto os de homens como os de animais. Por isso sacrificamos ao Senhor os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos (ÊXODO, 13.11-15).

Os pais deveriam consagrar seus primeiros filhos ao Senhor como forma de gratidão pelo resgate dos primogênitos lá no Egito. Esse princípio se perpetuou. Tudo que viesse primeiro, deveria ser consagrado ao Senhor. No Novo Testamento, a lei das Primícias também aparece através das palavras de Jesus num texto clássico

Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas (MATEUS, 6:33).

Cristo está dizendo que as coisas de Deus devem estar em primeiro plano. Que Ele precisa vir primeiro, caso queiramos ser abençoados com as demais citadas nos versículos anteriores (necessidades básicas, comida, vestimenta). Além de estarmos cumprindo um princípio bíblico, estamos também santificando todo o restante que fica conosco.

Mas se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, também os ramos o são (ROMANOS, 11:16).

Paulo está dizendo que quando consagramos a primeira parte ao Senhor, estamos santificando o que sobra. Quando entregamos o primeiro momento do nosso dia ao Senhor (através da oração e meditação da Palavra), o restante é santificado. Quando entregamos parte de nossos talentos, as demais habilidades são abençoadas. Quando devolvemos a primeira parte de nossas rendas ao Senhor, o restante é santificado. Neste livro, vamos falar sobre as primícias do homem na esfera do ser e do ter (entrega do tempo, dos talentos e da renda). Esse é o ponto de partida de toda caminhada cristã. É a base do relacionamento entre o homem e Deus. Afinal, Ele não quer ocupar um espaço secundário em nossas vidas. Não quer ser apenas uma opção. Quer ser prioridade e como tal precisamos devotar nossa devida atenção.


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